Reforma Tributária: o que sua empresa ainda precisa revisar em agosto
- 3eme Assessoria Contábil

- há 11 minutos
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A Reforma Tributária deixou de ser um assunto distante para as empresas brasileiras. Em 2026, a transição para o novo modelo já entrou em uma etapa prática e exige atenção a sistemas, documentos fiscais, cadastros e processos internos.
O IBS e a CBS estão sendo introduzidos gradualmente e 2026 é considerado um ano de teste para os dois novos tributos. A própria Receita Federal explica que a transição acontecerá ao longo dos próximos anos até a implantação integral do novo modelo em 2033.
Para as empresas, isso significa que acompanhar as mudanças deixou de ser suficiente. É preciso entender o que já precisa ser ajustado e quais processos devem entrar no planejamento.
Por que agosto é um mês importante para a Reforma Tributária?
Agosto de 2026 marca uma etapa importante da adaptação dos documentos fiscais eletrônicos.
O Ato Conjunto RFB/CGIBR nº 4/2026 estabeleceu as datas de início da obrigatoriedade de emissão dos documentos fiscais eletrônicos relacionados ao IBS e à CBS. Para NF-e e NFC-e, a data definida foi 3 de agosto de 2026.
Isso coloca os sistemas de emissão fiscal entre os principais pontos que precisam ser verificados pelas empresas neste momento.
O Comitê Gestor do IBS já havia informado que os parâmetros de emissão com destaque do IBS e da CBS passariam a ser obrigatórios a partir de 3 de agosto.
Por isso, agosto representa um momento de atenção especial para empresas que ainda estão ajustando seus sistemas e processos.

O que sua empresa precisa revisar?
A adaptação à Reforma Tributária envolve muito mais do que simplesmente alterar uma configuração no sistema.
É preciso analisar como a empresa emite documentos fiscais, cadastra produtos e serviços, calcula tributos, organiza informações e transmite dados aos órgãos fiscais.
Esse trabalho deve envolver diferentes áreas da empresa para evitar que uma mudança em um processo gere problemas em outro.
O setor fiscal precisa estar alinhado com a contabilidade, o financeiro e a área responsável pelos sistemas utilizados no negócio.
Sistema de emissão de nota fiscal
O primeiro ponto a ser verificado é o sistema utilizado para emitir os documentos fiscais.
A empresa precisa confirmar se o software está preparado para os novos campos relacionados ao IBS e à CBS e se as atualizações necessárias foram realizadas.
Isso vale para sistemas próprios e também para soluções contratadas de empresas de tecnologia.
O ideal é entrar em contato com o fornecedor do sistema e confirmar se a versão utilizada está adequada às exigências atuais.
A Receita Federal mantém orientações específicas para 2026 com informações sobre os documentos fiscais eletrônicos e as obrigações relacionadas ao IBS e à CBS.
Cadastro de produtos e serviços
Outro ponto que merece atenção é o cadastro dos produtos e serviços.
Informações fiscais incorretas ou desatualizadas podem gerar problemas na emissão dos documentos e dificultar a aplicação das novas regras.
Por isso, a empresa deve revisar os dados utilizados nos processos fiscais e verificar se as classificações e parametrizações estão corretas.
Esse cuidado é especialmente importante para negócios que possuem muitos produtos, diferentes operações comerciais ou grande volume de emissão de notas.
Quanto mais organizado estiver o cadastro, mais simples será adaptar a empresa às próximas etapas.
A equipe também precisa entender as mudanças
Uma atualização de sistema não resolve todos os problemas.
As pessoas responsáveis pela emissão de notas, faturamento, cadastro de produtos e rotinas fiscais também precisam conhecer as mudanças.
Quando o sistema muda, mas os procedimentos continuam sendo executados da maneira antiga, aumentam as chances de erros.
Por isso, treinamento e comunicação interna devem fazer parte da preparação.
A equipe precisa saber quais informações foram alteradas, como os novos campos funcionam e quem deve ser acionado quando surgir uma inconsistência.
A Reforma Tributária pode afetar a formação de preços?
Sim.
A mudança na estrutura dos tributos sobre o consumo pode influenciar custos, créditos tributários, margens e formação de preços ao longo do período de transição.
Isso significa que empresas precisam acompanhar os impactos sobre seus produtos e serviços.
Não se trata de simplesmente aumentar ou reduzir preços.
O primeiro passo é entender como as novas regras podem alterar a estrutura de custos e a margem de cada operação.
Essa análise permite tomar decisões mais conscientes e evita que mudanças tributárias comprometam a rentabilidade do negócio.
Inclusive, empresas que trabalham com margens apertadas precisam ter atenção especial a esse ponto.
Contratos também merecem atenção
Contratos de longo prazo podem atravessar diferentes fases da Reforma Tributária.
Por isso, empresas que possuem contratos relevantes com clientes ou fornecedores devem avaliar se as mudanças tributárias podem afetar preços, custos ou responsabilidades previstas nos acordos.
Uma revisão antecipada permite identificar possíveis impactos antes que eles se transformem em conflitos comerciais.
Dependendo do caso, essa análise pode envolver contabilidade, financeiro e assessoria jurídica.
Pequenas empresas também precisam acompanhar
A Reforma Tributária não é um assunto restrito às grandes empresas.
Negócios de pequeno e médio porte também precisam acompanhar as mudanças que afetam seus documentos fiscais e suas operações.
Existem regras específicas para empresas do Simples Nacional e para o MEI, e a Receita Federal disponibiliza materiais específicos sobre esses regimes.
Por isso, o porte da empresa não deve ser motivo para deixar a preparação para depois.
O cronograma ainda vai mudar
Outro ponto importante é entender que a Reforma Tributária ainda está em transição.
O cronograma prevê diferentes etapas até 2033.
Em 2026, IBS e CBS estão em fase de teste. Em 2027 e 2028, começam novas etapas envolvendo a CBS e o IBS. Entre 2029 e 2032, ocorre a transição gradual de ICMS e ISS para o IBS. Em 2033, o novo modelo entra em vigor integralmente.
Isso significa que a empresa precisará acompanhar novas mudanças nos próximos anos.
Por isso, adaptar processos de forma gradual tende a ser mais seguro do que tentar resolver tudo de uma vez.
O que fazer agora?
O primeiro passo é verificar se o sistema utilizado para emissão de documentos fiscais está atualizado.
Depois, vale revisar os cadastros de produtos e serviços e conferir as informações utilizadas na emissão das notas.
Também é importante conversar com a contabilidade e confirmar quais procedimentos precisam ser ajustados.
A empresa deve ainda avaliar possíveis impactos sobre preços, contratos e processos internos.
Por fim, acompanhar as informações oficiais ajuda a evitar decisões baseadas em notícias incompletas ou interpretações equivocadas.
A página oficial da Reforma Tributária da Receita Federal reúne orientações, materiais e atualizações sobre a implementação do novo sistema.
E o CNPJ? Existe alguma mudança relacionada à Reforma Tributária?
Também é importante acompanhar as alterações cadastrais que fazem parte da transição.
Recentemente, por exemplo, a obrigatoriedade de inscrição no CNPJ e de emissão de documentos fiscais para determinadas pessoas físicas contribuintes da CBS foi prorrogada para 1º de janeiro de 2027. A mudança foi formalizada pelo Decreto nº 13.075/2026.
Isso mostra como o cronograma pode ser atualizado.
Por isso, antes de realizar qualquer alteração na empresa, é importante verificar a regulamentação vigente e buscar orientação contábil.
Conclusão
A Reforma Tributária já está produzindo mudanças práticas na rotina das empresas brasileiras.
Em agosto de 2026, a atenção está especialmente voltada para a adaptação dos documentos fiscais e dos sistemas às novas exigências relacionadas ao IBS e à CBS.
Por isso, empresas que ainda não revisaram seus processos precisam começar agora.
Atualizar sistemas, conferir cadastros, preparar equipes, acompanhar a emissão de notas e avaliar os impactos financeiros são medidas importantes para atravessar essa transição com mais segurança.
A Reforma Tributária ainda terá novas etapas nos próximos anos. Quanto mais organizada estiver a empresa hoje, mais preparada estará para acompanhar as mudanças que ainda virão.
FAQ
O que a empresa precisa revisar por causa da Reforma Tributária?
É importante revisar sistemas de emissão de documentos fiscais, cadastros de produtos e serviços, processos fiscais, parametrizações e procedimentos internos.
O que são IBS e CBS?
O IBS é o Imposto sobre Bens e Serviços, de competência compartilhada entre estados e municípios. A CBS é a Contribuição sobre Bens e Serviços, de competência federal.
O que mudou em agosto de 2026?
A partir de 3 de agosto de 2026, começou a obrigatoriedade prevista no cronograma para determinados documentos fiscais eletrônicos relacionados ao IBS e à CBS. Para NF-e e NFC-e, essa foi a data estabelecida pelo Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 4/2026.
A Reforma Tributária já está totalmente em vigor?
Não. A implementação acontece de forma gradual e está prevista para ser concluída em 2033.
Minha empresa precisa atualizar o sistema de emissão de notas?
A empresa deve verificar se o sistema utilizado está adequado às novas exigências e se o fornecedor disponibilizou as atualizações necessárias.
Onde acompanhar as informações oficiais?
As atualizações podem ser acompanhadas diretamente na página da Reforma Tributária da Receita Federal.





